quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Ali parado lendo meu livro no trem.

Ela olha, meu olhar cruzou.
Ela vira pra amigas, conversa, fala, discute e olha bem nos meus olhos.
Meu livro é bom, poemas de dor e angustia, meu olhar vagueia, sobe passa por seus cabelos volumosos, a testa descascada de sol, ela olha enquanto eu olho.
Meu livro é bom, versos de amor sobre uma louca desamada, ela olha, eu olho seus olhos castanhos por quase um segundo, sorrio.
Cerveja, sexo, policiais, o livro é bom. Seu olhar cruza o meu, seus olhos me medem, olha para as amigas, meia dúzia de palavras e olha novamente.
Meu sorriso bate nos seus olhos e ela finge que não vê. Volto ao meu livro, fugir num carro azul de 1934, dirigindo sem destino. Ela da um sorriso pequeno.
O trem para na estação, ela vira olha sorri e vai-se embora. Sai pelo trem seguida pelas amigas. Olha pra trás e vê meu sorriso mais uma vez.
Pensei por um segundo em falar ou ir atrás, mas meu livro é bom demais e ela ia atrapalhar mais minha leitura.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

QUANDO EU MORRER...




...

Quero ser enterrado na beira da estrada, em cova rasa mesmo. 
Um desconhecido perdido no nada da morte sem nome e sem cinzas ao mar. Quero ficar a beira da estrada e pra sempre ser lembrado de não ter terminado a caminhada. 
Sem data, sem nome, sem nada. 
Quando morrer não quero choro ou comoção, ninguém nunca vai se atirar no meu caixão. 
Quero ser enterrado na estrada, bem ao lado, para ter uma vista do cerrado. Fechar meus olhos numa ultima vista na serra, voltar a ver o sol nascer mais uma vez escutando: “Stairway to heaven” ou “Highway to hell” não tenho certeza ainda. 
Olhar uma ultima vez minha escola ser campeã, bem ao menos escutar alguém me dizer. 
Queria que as cinzas das flores que nascerem sobre mim, essas sim sejam cremadas e jogadas ao vento. 
Mas antes de começar essa última viagem só gostaria de saber: O que acontece com aqueles que perdem a noção do verde mais básico quando de ti o rosa mais sublime foi tirado? 
Fiquei 7 horas no pau-de-arara, vî montanhas que só existiam em sonhos, nadei em nascentes cheias de areia e cachoeiras de água cristalinas, rolei as dunas do maranhão e cochilei a beira do rio tocantins. 
Foi como se não tivesse me movido. 
Meu corpo foi, mas minha mente só fazia perguntar. 
Porque o meu rosa e verde? 
Valeu a pena? 
Não faço a menor ideia! 
E se me perguntar se trocaria tudo isso: A qualquer momento! 
Bem quando morrer quero ser enterrado a beira da estrada, em cova rasa e pra sempre ser assombrado pela viagem que nunca consegui concluir.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sexta feira 20 de Janeiro de 2012

Sinto o cheiro agridoce.
E mesmo assim todo o resto que sinto, dói.
O vazio impregna a todos os sentidos.
Sei que meu coração ainda bate, mas não sei o porque.
Fico a e perguntar.
Tudo em mim é sem sentido, insensível.
Olho um velho ténis e ele me leva alugares tão distantes.
Não sinto meus pés há uma semana, não sei como ando. Porque ainda ando.
Minhas pernas se movem simplesmente, também não as sinto.
Foi quase engraçado olhar para ver se ainda as tinha, vi o porque do cheiro.
Sangue, via sangue, cheirava sangue. Mas não sentia nada.
Minhas mãos se movem nessas palavras vazias.
Sinto dor, minha cabeça, tudo tão vazio, ela tão cheia. Não senti o corte por horas, mas não deixo de sentir o pulsar por um segundo sequer. Tanta coisa, tanto peso.
A cada palavra sinto a caneta pesando uma tonelada.
Tudo dói! A dormência parece ser tentadora.
Cada palavra espero que vá ser a ultima. A dor não para.
Toda noite desejo que não tenha fim. Mas há o medo.
Por isso não durmo sem o sol. Os sonhos ficam mais reais, a dor vem junto com eles. Não preciso mais dormir para te sentir.
Posso te sentir, todo o tempo, seus sorrisos, seu coração batendo. Feliz, longe, fora do meu alcance.
Posso te sentir, não mais a nós ou a mim.
Sinto sua felicidade, e me sinto tão vazio.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sexta feira 13 de Janeiro de 2012


Gosto de fogo, sempre foi assim
Assim pelo vão prazer do fogo acendi
Acendi um cigarro e uma vela só para ver queimar
Queimar tudo ao meu redor, esperando passar o tempo
Tempo se foi, os 90 minutos da minha historia de amor
Amor é algo que não deveria acabar, como o meu
Meu coração dilacerado a chorar
Chorar é algo que homens não fazem, por isso me sinto um menino
Menino dentro de mim sonha o dia que ela vai voltar
Voltar é algo que ninguém faz, apenas segue em frente seu caminho
Caminho cheio de pedras, ou levado pelo rio
Rio de Janeiro cidade bela que exalta paixão
Paixão jamais foi algo tão agonizante como hoje
Hoje queimo coisas pela falsa alegria
Alegria nunca vista se não pelos meus olhos
Olhos por de traz das lentes de baixo grau
Grau independente de qual for ainda é homicídio
Homicídio de mim mesmo, apenas pelo seu prazer
Prazer em te conhecer, espero que esteja tudo ao seu gosto.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Coisas que aprendi até a madrugada de 28 de Julho de 2011

Escolhas são feitas. Todos os dias fazemos escolhas que podem mudar o rumo das nossas vidas. E por vezes as coisas acontecem modificando as escolhas que nós fazemos.  Não existe uma formula de como se deve agir nesses casos. Você deve seguir seus princípios, escutar seu coração e como ultima alternativa tentar manter o plano original, sem nenhuma mudança.

Há tempos, mantenho como uma regra a não influência de antigas relações amorosas na minha atual situação sentimental. Obviamente pessoas passam pelas nossas vidas. Deixam um pedaço delas e levam um seu quando partem.  Por vezes passei horas imaginando como estaria uma grande paixão, às vezes houveram espasmos psicológicos do que outrora foi-se considerado um amor. Tente não se culpar por ao deitar na cama com sua namorada e ao fechar os olhos ver outra mulher. Fantasmas que não tem espaço no presente escolhido por mim.
Encontrar com esses fantasmas pode ser, digamos complicado. Se uma antiga paixão aparece enquanto você está em um dos momentos mais importantes da sua vida amorosa? Se você realmente acredita ter encontrado o derradeiro amor, alguém que gostaria de passar todos os dias até o fim da existência terrena. O passado sempre existiu, e não é mutável. Mas as influências dos acontecimentos podem ser de diferentes graus, tamanhos e abrangências.  

Lembro que algumas coisa que Ex deixaram. Pouquíssimas coisas como, maneiras de se dobrar roupas e a assustadora verdade imutável:  os namorados atuais nem sempre vão ser os namorados, já seus ex... esses nunca vão deixar de ser ex.

E quando romances inconclusivos reaparecem? Alguém que realmente tenha mostrado uma perspectiva diferente da sua atual. Se você não está no melhor momento, tem dúvidas. E te apresenta uma oportunidade diferente. Uma chance de mexer com as estruturas da relação, te trazer dúvidas, insatisfação. Sempre é fácil ter uma novidade, ver uma oportunidade para diversão. 

Mas vale a pena? Será que... bem será  que um romance deve ter a oportunidade de destruir um grande amor? Uma vez me arrependi de ter perdido um amor por ter me envolvido fora de hora com outra pessoa. Mas tenho que admitir que foi bom, mas valeu mesmo a pena? Trair alguém que você acha amar? A culpa pode te consumir e destruir oque você acha bom em você mesmo, ou oque a outra pessoa acha bom em você. 

Hoje olhando para o passado, não me arrependo daquele dia do jogo do Brasil. Hoje olhando para o passado percebo que o dia do jogo do Brasil foi um marco que destruiu uma relação por completo. Hoje percebo que poderia ter mantido um ótimo romance depois do jogo do Brasil, mudar drasticamente destino talvez. 

Escolhi um caminho diferente. Escolhi um tempo de diversão e aprendizagem. Fui descoberto por uma mulher sensacional. Destruí relacionamentos alheios apenas por diversão. Escolhi abandonar a diversão indiscriminada por amor. Neguei por muito tempo, mas eventualmente aceitei aquilo que estava na minha frente. Deus, como é bom estar apaixonado. É extremamente bom encontrar aquela pessoa. Hoje eu agradeço muito por tudo que vivi.

Fiz minhas escolhas e nada que venha vai mudar oque eu quero de verdade.

Kamaya Vidal.
Descobri o quanto é bom lhe amar. Ter você ao meu lado. Ser a pessoa que você chama quando é importante. Estar lá aquecendo uma noite fria.
Eu te amo!  Acredito em nós. Sonho conosco. Quero-te como minha esposa.
Os: talvez não seja fácil, talvez erremos, talvez tenhamos dúvidas, talvez... sejamos fortes o bastante juntos para realizarmos grandes coisas juntos.

sábado, 14 de maio de 2011

Talvez se soubesse poesias...

Uma noite fria e chuvosa. É com me lembro da ultima vez que a vi. Mas historias não devem ser contadas começando pelo final.

Foi em um dia ameno de primavera, um dia bem  característico como as flores dos jardins em seu total esplendor. Ela andava despreocupadamente, com uma blusa branca, uma saia leve e os cabelos avoaçados pela leve brisa matinal. E pensar que no fim tudo seria tão obscuro e escarlate. 

Estava sentado em um banco do parque municipal quando ela chegou. Sinto ainda como se fosse hoje o perfume de camélia vindo de um canteiro próximo, as flores seriam marcos que nunca mais esqueceria. Ela era com uma flor, linda, radiante, com um suave brilho emanando. Sua pele corada pela rápida exposição ao sol me hipnotizou. As maçãs de seu rosto pareciam especialmente desenhadas para aquele momento. Veio em minha direção com uma determinação assustadora. Sentou ao meu lado e tirou de sua pequena bolsa um livro, algo sobre como resolver os mistérios do universo.

Não me recordo agora. Tentei com todas as minhas forças ignora-la não sentir a tremenda pressão que sua presença ali me causava. Não exatamente me incomodava apenas me sentia atordoado com sua proximidade. 

Pareceram anos passados quando algo caiu do meio de seu livro. Por muito tempo me questionei se fora proposital, mas havia acontecido. Uma quebra paradigmática. Um motivo para que eu, simplório escritor de obituários do pequeno jornal local, interagisse com ela. Se fosse um poeta talvez a tivesse chamado de Afrodite, Perséfone ou mesmo Athena. Mas nunca fui um poeta, Era um escritor de obituários o melhor que pude fazer foi uma brincadeira com seu epitáfio. 

Senhora Silva, esposa amada, mãe dedicada e filosofa fundamentalista nas horas vagas.”

Ela sorriu. Esse foi o primeiro passo para oque achei que poderia ser uma longa historia de amor. Poderia ser se talvez fosse um poeta. Mas nunca soube fazer poesias. Estava com um cartão em minhas mãos, algo sobre uma fotografa famosa. Ela assinava em todas as revistas de turismo famosas, as quais eu possuía todas e sonhava com suas fotos por noites a fio. Era um escritor, almejava grandes matérias nessas revistas, sonhava com o pulitzer, em cobrir grandes matérias que mudariam o destino do mundo. Talvez se soubesse fazer poemas.

Acordei com uma ligação no inicio da noite. Estava mais uma vez atrasado para o trabalho no jornal local. E os mortos não esperam. Havia se passado duas semanas que peguei seu telefone. Nunca cheguei a ligar. Oque falaria? “Oi, lembra-se de mim o cara que fez seu epitáfio na praça?” Não poderia ser assim. Bem os mortos não esperam, e eu tinha muito que escrever  pela noite adentro.

Liguei meu laptop e olhei pela janela e vi as primeiras estrelas brilhando lá fora. Pessoas morriam todos os dias, esse era meu trabalho escrever sobre elas noite após noite.  Abri meu e-mail e vi uma mensagem da editora, algo sobre uma famosa fotografa local que havia falecido trabalhando. Abri a mensagem e olhei as fotos. Cairo, uma noite chuvosa.

Renata Santos, cidadã condecorada, fotografa premiada e filosofa fundamentalista na horas vagas.”

Eu nunca soube fazer poesias. Talvez se soubesse lhe faria uma.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

De um coração apertado...


Meus olhos se enchem de água, me sinto sozinho sem você, como se a outra metade do meu copo evaporasse e nem mesmo as lágrimas pudesse enchê-lo novamente. 
Você me faz bem, fico feliz ao teu lado, quero dar-te a mão e seguir assim, feliz, bem. 
Mas meus olhos continuam a se encher de água, continuo a tentar te dar a mão e ela me parece impalpável. Posso te cheirar, sinto tua presença mesmo longe, e quando bem próximo sinto até o gosto da tua alma, mas como de praxe não lhe posso ter. 
Quando mais me parece que finalmente deleitar-me-ei com teus abraços, teus toques. 
Fico sozinho novamente sem saber como agir. 
Então escrevo. 
Escrevo sobre o quanto lhe quero, sobre quanto quero chorar, sobre não saber o que fazer, sobre ser feliz novamente...